A Segunda Guerra Mundial

Introdução
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo — incluindo todas as grandes potências — organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Foi a guerra mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Em estado de "guerra total", os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares. Assim sendo, esta dissertação visa debruçar esta guerra desde as suas causas, antecedentes, fases, incluído a criação da ONU e as instituições de Bretton Woods.

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
A questão da data do início dá Segunda Guerra Mundial é controversa. Para Weinberg, Gerhard L. (1995) por exemplo, este conflito começou quando o japão invadiu a China, em 1937. Para outros, deu-se aquando da invasão da Polonia pela Alemanha, a 1 de Setembro de 1939. É esta última data que permanece como aquela geralmente aceite para o início do conflito mais sangrento que o ser humano já viveu em toda a sua história. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010)
As causas da Segunda Guerra Mundial
Causas político-económicas
Os EUA tornaram-se numa potência mundial que defendia uma ideologia burguesa, capitalista e liberal. No lado oposto estava a URSS, onde o proletariado estava em expansão, que defendia uma política socialista.
A crise de 1929, que começou nos EUA e depois alastrou ao resto do mundo, interrompeu o dinâmico processo de reconstrução da Europa registado imediatamente após a Primeira Guerra Mundial.
As medidas para combater a crise nos países europeus, embora tendo de ser fortes, tiveram lugar de forma natural e constitucional, mantendo-se os regimes democráticos na Inglaterra, na França e em outros países.
No entanto, em outros países, politicamente mais instáveis e com oposições mais combativas, o poder foi tomado por grupos fortemente organizados e determinados.
Estes grupos opunham-se à política instalada e viriam a implantar regimes do tipo totalitário ou ditatorial. Daqui iria nascer uma bipolarização do mundo em dois blocos antagónicos: de um lado, os regimes democráticos, e do outro, os regimes autoritários ou ditatoriais.
Essa divisão iria ter também a sua expressão nos dois lados que se viriam a defrontar na guerra: de um lado, os Aliados (que representavam, na sua maioria, os países democráticos), e do outro, as potências do Eixo (que integravam os regimes autoritários e ditatoriais).

Causas político-militares
O fim da Primeira Guerra Mundial transformou-se no ponto de partida para o eclodir de novos conflitos, afirmado por BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010). Em 1919, o Tratado de Versalhes, apesar das suas intenções de pacificação, acabou por provocar a disseminação de um forte sentimento nacionalista entre os países que perderam a guerra e criou terreno propício, pela exploração dos sentimento de insatisfação da população, para a implantação dos regimes totalitários. Alguns líderes políticos adoptaram uma política de apaziguamento no período entre as guerras. Pacificaram-se antigo e fizeram-se concessões para se evitar confrontos mas, em contrapartida conseguiu garantir a paz internacional.

A Sociedade das Nações, que deveria cuidar da paz mundial, um órgão frágil, sem reconhecimento e peso internacional totalmente.
A partir de Setembro de 1931, iniciou-se uma série de confrontos, espalhados por vários cantos do mundo. O Japão invadiu a Manchúria e colocou no poder um imperador por si controlado. Sendo a Manchúria território chinês, esta invasão levaria a uma guerra entre o Japão e a China, que se iniciou em 1935.
Em 1936, o Japão e a Alemanha assinaram um acordo, o Pacto Antikomintern (que significa «anticomunista»), cujo objectivo principal era o combate ao comunismo da União Soviética, evitando assim o perigo de alastramento dos ideais comunistas a estes países. No Japão predominava uma cultura do tipo militarista, que já vinha de muitos anos antes. Sendo o Japão um país de fracos recursos, o seu governo considerava que a melhor forma de conseguir esses recursos seria através de conquistas territoriais. Por isso, o Japão planeou conquistar vários territórios na Ásia, incluindo a Coreia, a China e algumas ilhas no oceano Pacífico. Weinberg, Gerhard L. (1995)
Porém, o Tratado de Versalhes, assinado entre os países vencedores e vencidos da Primeira Guerra Mundial, impedia que as nações procurassem as conquistas militares, o que deitava por terra as ambições japonesas. Essa disposição do Tratado de Versalhes foi considerada pelos Japoneses uma traição por parte das potências vencedoras daquela guerra, pois o Japão ficara do lado delas. Por essa razão, o Japão decidiu aliar-se à Alemanha, cuja política expansionista era mais ou menos semelhante à dos Japoneses, havendo, por isso, interesses em comum.
Ainda em 1936, a Itália invadiu a Etiópia (a então chamada Abissínia). A Sociedade das Nações quis punir a agressão, tendo mesmo imposto um embargo económico à Itália. Mas Hitler, recusando reconhecer poderes à Sociedade das Nações, ofereceu ajuda económica a Mussolini.
Também nesse ano, iniciou-se a Guerra Civil de Espanha, que opunha as forças nacionalistas, comandadas por Franco, às forças republicanas, de ideologia socialista.
Estando do lado dos nacionalistas, a Alemanha e a Itália enviaram-lhes ajuda militar.
Os republicanos, por seu lado, receberam apoio e ajuda militar da União Soviética. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010)

Causas sociais e ideológicas
Como vimos, as condições impostas pelo Tratado aos países perdedores foram consideradas por estes demasiado severas e isso criou as bases para o crescimento dos movimentos totalitaristas nazi e fascista, que aproveitaram as vagas de descontentamento da população. A Alemanha foi o país que recebeu a punição mais dura, pois sofreu grandes perdas de território e foi obrigada ao pagamento de pesadas multas, o que foi sentido pela população como uma humilhação ao povo alemão. Também na Itália os sentimentos de insatisfação pela situação italiana no pós-guerra criaram terreno propício ao crescimento do fascismo.
O alegado combate aos ideais comunistas contribuiu para a implantação e crescimento dos regimes totalitários e ditatoriais nos países europeus e no Japão: o receio da disseminação do comunismo por entre a classe trabalhadora fez com que a classe dos industriais e a burguesia tivessem aderido e apoiado os movimentos totalitários, que conquistaram e aglutinaram, assim, quer os receios da população burguesa, quer a insatisfação das faixas mais pobres da população, criando desse modo uma ampla base de apoio popular, que lhes permitiu iniciar um plano de expansão e ofensiva bélica.
Adolfo Hitler queria suprimir as liberdades e os direitos individuais e perseguir as ideologias liberais, socialistas e comunistas. Pretendia, ainda, criar uma «nova ordem» na Europa baseada nos princípios nazis, os quais defendiam a superioridade germânica e a exclusão de algumas minorias étnicas e religiosas. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010)

Antecedentes da Segunda Guerra Mundial
Entre o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, viveu-se um pouco por todo o mundo um período de agitação provocada pela crise económica, o que gerou tensões sociais e políticas um pouco por todos os continentes.
Em 1929, como vimos, deu-se a Grande Depressão económica, que levou, por várias razões, alguns países a adoptarem regimes ditatoriais, tais como o nazismo, na Alemanha (com Hitler), o fascismo, na Itália (com Mussolini), ou o corporativismo (também chamado de salazarismo, com Salazar) em Portugal, segundo Carrilho, Maria; Rosas, Fernando; Barros, Júlia; Neves, Mário; Oliveira, José Manuel; Matos-Cruz, José; 1989.
Por outro lado, a ambição imperialista da Alemanha e da Itália levou estes países a entrarem em conflito com outros por causa do domínio de certas regiões.
A Sociedade das Nações, criada com o Tratado de Versalhes para evitar novos conflitos entre os países, revelou-se incapaz de evitar não só conflitos, como também ocupações territoriais. Desde o início da década de 1930 que alguns acontecimentos tornaram visíveis as dificuldades e fragilidades deste organismo.

Vejamos alguns exemplos:
A invasão da Manchúria (na China) pelo Japão, em 1931. A Sociedade das Nações condenou esta acção, o que levou o Japão, irritado, a abandonar aquela sociedade, em 1933;
A ocupação da Abissínia (Etiópia) pela Itália, em 1935;
A entrada deliberada da Itália e da Alemanha na Guerra Civil de Espanha, entre 1936 e 1939, ajudando as tropas nacionalistas de carácter fascista comandadas pelo general Franco;
O facto de os Alemães nunca terem aceite de bom grado as condições do Tratado de Versalhes, considerado humilhante para a Alemanha.
Um dos grandes objectivos de Hitler, na Alemanha, era restituir ao país o seu antigo poderio económico e militar e mostrar ao mundo a superioridade da raça germânica (ariana).
É importante salientar que, para atingir tais objectivos, isso só seria possível à custa das armas, através da conquista de outros territórios. Deste modo, Hitler procedeu, por volta de 1935, ao rearmamento do exército alemão, contrariando os pressupostos do Tratado de Versalhes.
Em 1936, a Alemanha celebrou alianças com a Itália e com o Japão, surgindo assim a designação de Eixo para identificar estes três países (as potências do Eixo Roma-Berlim-Tóquio).
Em 1938, a Alemanha anexou a Áustria e invadiu a região dos Sudetas, na Checoslováquia (cuja maioria populacional tinha origem alemã). Poucos meses depois, a Alemanha invadiu o resto da Checoslováquia. Tudo isto perante a passividade da Sociedade das Nações, que nada fez para o impedir, até porque também não tinha meios para isso. Apesar de todos estes actos de agressão, foi celebrado um pacto de não-agressão entre a Alemanha, a Inglaterra e a França, que garantia que nenhum destes países abriria um conflito com os outros. Esse tratado, porém, não viria a ser cumprido.
A Leste, a Rússia, temendo uma possível invasão pela Alemanha, também assinou com esta um pacto de não-agressão, que previa, no futuro, a partilha do território da Polónia e dos países bálticos entre a Alemanha e a URSS. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010)

O Decurso e as Fases da Segunda Guerra Mundial
Primeira vitórias do Eixo (1939-1941) fase: as
O expansionismo dos regimes autoritários, da Alemanha e Itália na Europa e em Africa e do Japão na Asia, teve o seu início na década de 1930. O expansionismo demonstrado por estas nações esteve na origem de uma série de acordos internacionais, através dos quais se definiram as forças e as alianças que se iriam defrontar na Segunda Guerra Mundial, O Tratado do Eixo foi assinado em 1936, entre a Itália e a Alemanha (tendo sido confirmado, em 1939, pelo Pacto de Aço, aliança militar italo-alemã), e o Pacto Antikomintern, entre a Alemanha e o Japão, que formaria o eixo Berlim-Tóquio, e que também foi assinado nesse ano.
Do outro lado da Europa, a União Soviética atacou a Finlândia e, a norte, Hitler invadiu a Dinamarca e a Noruega. Nesta primeira fase da guerra e no espaço de apenas um ano, Hitler conquistou uma grande parte da Europa, através da estratégia da Blitzkrieg (Guerra-Relâmpago), tendo resultado numa série de fortes vitórias alemãs sobre os Aliados.
Hitler começou a sua conquista da Europa com uma ofensiva sobre a Polónia, como já vimos, em Setembro de 1939, e de seguida colunas de tropas alemãs invadiram a Holanda e a Bélgica. Posteriormente, invadiram a França pelo lado mais a norte, onde não tinha chegado a Linha Maginot. Logo em Junho, a França caiu em poder dos Alemães, sendo obrigada a assinar uma rendição incondicional.
No mesmo período, a Itália declarou guerra à França, que já estava praticamente vencida. Depois da capitulação da França, a Alemanha virou-se para a sua outra grande inimiga, a Inglaterra, submetendo-a a terríveis bombardeamentos aéreos ininterruptos durante meses a fio. No entanto, esses bombardeamentos não surtiram efeito.
Em 1941, a Alemanha interrompeu a suposta amizade com a União Soviética, invadindo-a no mês de Junho. No mês de Dezembro, foi a vez do Japão atacar de surpresa uma base naval americana no Havai (Pearl Harbour — Porto de Pérolas), no oceano Pacífico. Isto levou à entrada dos EUA na guerra: contra o Japão, no Pacífico, e contra a Alemanha, na Europa. O mundo estava em guerra. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010) 

Segunda fase: generalização do conflito e equilíbrio de forças (194.1-1942)
Com os Aliados praticamente vencidos, três acontecimentos vieram alargar as dimensões do conflito e equilibrar as forças em presença:
A guerra germano-soviética, que obrigou os Alemães a dividirem os seus exércitos em duas frentes;
A entrada dos EUA na guerra, na sequência do ataque japonês a Pearl Harbour em Dezembro de 1941;
As conquistas japonesas no Pacífico, salientando-se os diversos bombardeamentos contra a frota aeronaval americana no Havai de Dezembro de 1941 a Maio de 1942.

Terceira fase: contra-ofensiva e vitória dos Aliados (1943-1945)
Em 1943, vários factores marcaram o início da viragem da guerra:
Após a batalha de Estalinegrado, os Alemães começaram a bater em retirada dos territórios soviéticos, pois não tinham capacidade para controlar um território
Tão vasto, nem para aguentar as péssimas condições do clima;
As vitórias inglesas contra os submarinos alemães;
A ofensiva anglo-americana no Norte de África;
O desembarque anglo-franco-americano na Itália (que levará à destituição de Mussolini e à rendição da Itália, em Junho de 1944).
Em 6 de Junho de 1944 (data que ficou conhecida por Dia D), um grande contingente de tropas Aliadas desembarcou de forma determinada nas praias francesas da Normandia. A partir dessa invasão, foram avançando de forma rápida, até conseguirem libertar Paris, em Agosto desse mesmo ano.
No Inverno de 1944 deu-se a batalha das Ardenas (território entre a França e a Alemanha), na qual os Alemães resistiram fortemente à ofensiva aliada, mas sem sucesso. Finalmente, em Março de 1945, foi lançada a ofensiva final contra a Alemanha, que conduziria à derrota de Hitler (que se suicidou) e à rendição incondicional dos generais alemães que tinham sobrevivido. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010)

Acordos da Guerra
Costa, Sérgio Correa da, (2004), em 1944, a guerra no continente asiático começava a efectuar-se com mais lentidão, com a conquista, por parte dos Japoneses, de novos territórios. Em Março desse ano, os Japoneses ocuparam a Birmânia e desferiram um ataque contra a Índia.
Porém, devido às dificuldades logísticas em manter uma guerra num território tão vasto, aqueles acabaram derrotados na região indiana de Impanhal.
A guerra sino-japonesa fez enormes baixas de ambos os lados. Os exércitos nacionalistas chineses atacavam as tropas japonesas em pequenas escaramuças com o objectivo de fixarem-se e desgastarem o inimigo, apesar de estarem cientes que eram absolutamente inferiores em termos militares e de estratégia. O governo de Chiang Kai-Shek, líder político e militar das forças chinesas, após sete meses de grande resistência, adoptou a política de «vender espaço para ganhar tempo», levando os chineses a renunciarem, de propósito, a enormes extensões territoriais. 
As tropas nacionalistas chinesas recuavam, mas ao mesmo tempo dedicavam-se a uma nova táctica, a qual consistia na destruição sistemática das infra-estruturas rurais e urbanas das regiões que seriam ocupadas pelos invasores: destruíram diques no rio Amarelo, o que provocou a inundação de milhares de quilómetros quadrados de terras aráveis, arruinando por muitos anos as propriedades camponesas. Estas tácticas dificultavam bastante o avanço dos Japoneses, o que os levou a atrasos consideráveis nos objectivos que tinham inicialmente traçado.
Ainda no ano de 1944, o império japonês chegou mesmo a tomar grande parte do Sul da China Central, ao atacar a região de Ichi Go, estabelecendo uma ligação terrestre com a Indochina. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010) 

A criação da Organização das Nações Unidas (ONU)
A Sociedade das Nações (SDN) foi uma organização que teve como objectivo primário manter a paz. Porém, tendo-se mostrado incapaz de fazer cumprir tais objectivos, foi ignorada a partir de 1939, tendo sido dissolvida oficialmente em 1946.
Foi na Conferência de Taita (conferência que assinalou o final da guerra) que nasceu a ideia da necessidade de estabelecimento dum amplo sistema de segurança e que se chegou a um acordo definitivo para a convocação de uma conferência, nos EUA, com o objectivo de criar a Organização das Nações Unidas (ONU).
Essa conferência veio a realizar-se na cidade de São Francisco, em 1945, tendo estado presentes 51 Estados Aliados. Nessa reunião foi aprovada a carta que daria origem à ONU, no dia 24 de Outubro desse ano. A sua sede foi estabelecida em Nova Iorque, onde hoje em dia continua a localizar-se. BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, (2010)

Princípios e objectivos da ONU
Manter a paz e a segurança internacionais, através do desenvolvimento de relações amigáveis entre as nações.
Efectivar a cooperação internacional no sentido de resolver os problemas de ordem económica, social, cultural e humanitária.
Coordenar os esforços das nações para fins comuns;
Desenvolver o respeito pelos Direitos do Homem e pelas suas liberdades fundamentais.

Instituições de Bretton Woods
Acordo de Bretton Woods ou ainda é o nome com que ficou conhecida uma série de disposições acertadas por cerca de 45 países aliados em julho de 1944, na mesma cidade norte-americana que deu nome ao acordo, no estado de New Hampshire, no hotel Mount Washington. O objetivo de tal concerto de nações era definir os parâmetros que iriam reger a economia mundial após a Segunda Guerra Mundial.
O sistema financeiro que surgiria de Bretton Woods seria amplamente favorável aos Estados Unidos, que dali em diante teria o controle de fato de boa parte da economia mundial bem como de todo o seu sistema de distribuição de capitais. Os Estados Unidos finalmente tomavam as rédeas das finanças mundiais, manobra que se recusaram a executar por pelo menos cerca de 25 anos, devido a princípios da política externa do país, que advogava o não-envolvimento em questões político-económicas sensíveis às nações europeias.
O primeiro passo para tal hegemonia estava na transformação do dólar como moeda forte do setor financeiro mundial e fator de referência para as moedas dos outros 44 signatários de Bretton Woods. Isso equivale dizer que todas as outras moedas passariam a estar ligadas ao dólar, originalmente variando em uma margem de no máximo 1% (positivamente ou negativamente). Para dar sustento essa força dólar em escala mundial, a moeda estaria ligada ao ouro a 35 dólares, o que permitia ao portador de dólares (em teoria; na prática, pouco funcional) transformar as notas de dólares que qualquer cidadão carregasse no bolso, em qualquer parte do mundo, no seu equivalente em ouro, de acordo com o estipulado em Bretton Woods. Evidentemente, tal conta seria impossível de se sustentar, mesmo com uma emissão de moeda extremamente controlada (como aconteceu na realidade), servindo todo conceito mais como uma propaganda de consolidação do dólar em escala mundial.
O acordo ainda previa a não menos importante criação de instituições financeiras mundiais que se encarregariam de dar o sustento necessário ao modelo que estava sendo criado, que seriam: "Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento", mais tarde renomeado para Banco Mundial, que funciona até hoje como uma espécie de Agência de Crédito tamanho família, destinada a fornecer capitais para políticas e projetos de desenvolvimento no mundo todo. Além desta seria criado o FMI (Fundo Monetário Internacional), uma espécie de "caixinha" de todos os países, que poderiam fazer movimentações de dinheiro do caso necessitassem de injeção de capitais em sua economia, respeitando, claro, alguns preceitos de disciplina fiscal a serem ditados pelos dirigentes do fundo. Churchill, Winston (1948-53)

Conclusão
Após um longo período de combate entre Eixo e Aliança, a Segunda Guerra chegou ao fim apenas no ano de 1945 quando Itália e Alemanha se renderam. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição sofreu um ataque nuclear lançado pelos Estados Unidos onde uma bomba atômica explodiu na cidade de Hiroshima dizimando um grande número de cidadãos japoneses inocentes.
O regime nazista foi responsável pela morte de cerca de 2 milhões de poloneses, 4 milhões de pessoas com problemas de saúde (deficientes físicos e mentais) e um número exorbitante de 6 milhões de judeus no massacre que ficou conhecido como Holocausto. Os danos materiais também foram muitos, a guerra arrasou as nações perdedoras e outras envolvidas destruindo cidades inteiras e a vida de milhares de cidadãos. O pagamento de uma indenização para reconstrução das nações derrotadas foi determinado pelos Aliados assim como uma indenização aos países vitoriosos, assinada no Tratado de Paz de Paris.
Ao final da guerra foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU), que tinha o propósito de manter a paz entre as nações resolvendo os conflitos de forma pacífica e ajudar as vítimas da Segunda Guerra.

Bibliografia
BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, Saber História 10, 1ª edição, Longman Moçambique, Lda., Maputo, 2010
Carrilho, Maria; Rosas, Fernando; Barros, Júlia; Neves, Mário; Oliveira, José Manuel; Matos-Cruz, José; 1989, Portugal na segunda Guerra Mundial, Publicações Dom Quixote, Lisboa
Churchill, Winston (1948-53), The Second World War, 6 vols.
Costa, Sérgio Correa da, Crônica de uma Guerra Secreta, Ed.Record, 2004. 
Rémond, René, Introdução à História do Nosso Tempo. Lisboa: Gradiva, 2ª edição, 2003.
Weinberg, Gerhard L. (1995). A World at Arms: A Global History of World War II. [S.l.]: Cambridge University Press. 
https://www.infoescola.com/historia/acordo-de-bretton-woods, acessado à 25 de Outubro de 2017

Etapas de Uma Negociação

 ETAPAS DE UMA NEGOCIAÇÃO

As partes envolvidas no processo de negociação devem compreender cada interesse e juntos gerar opções mutuamente vantajosas, procurando concordar, conciliar os interesses opostos e permitir um relacionamento efetivo, diferente da negociação baseada em posições mais conhecida como barganha posicional, onde cria estímulos que paralisa a negociação, pois um dos lados toma uma posição, defende-a e faz concessões colocando em risco a manutenção do relacionamento. Cada pesso interage diferente numa negociação, pois possuem pontos de vista distintos, dando ênfase em diferentes assuntos. Neste aspecto existem três variáveis que influenciam uma negociação: o poder, o tempo e a

informação; sendo importante ter pelo menos duas das três variáveis para efetivar a negociação. (FISHER; URY E PATTON, 2005)


O foco de uma negociação é identificar claramente seu objetivo, separar as pessoas do problema; concentrar-se nos interesses; buscar alternativas de ganhos mútuos e criar critérios objetivos. Desde o momento em que se começa a negociar até o momento em que se chega a um acordo, se destacam três etapas:

  • Analise: onde o objetivo é diagnosticar a situação, obter informações, organizando-as e ponderando sobre elas. Deve-se separar os problemas pessoais, identificar os interesses das partes envolvidas e verificar os critérios para chegar a um acordo.
  • Planejamento: procura-se criar ideias e decidir o que fazer,verificando como se pode lidar com os problemas, quais os interesses a serem atendidos, que objetivos são realistas, comogerar opções adicionais e de que forma definir os critérios para se decidir entre eles.
  • Discussão: é quando as partes se comunicam entre si para definir um possível acordo. As diferenças de percepções, frustrações, raiva e a dificuldade de se comunicarem podem ser reconhecidos e abordados. (FISHER; URY E PATTON, 2005).

A etapa de preparação é a chave de uma negociação bem-sucedida, cerca de 80 % dos esforços numa negociação devem ser canalizados para a preparação, enquanto 20 % representa o verdadeiro trabalho de negociação.

Uma ótima preparação compreende três capacidades: autoavaliação, avaliação da outra parte envolvida e a avaliação da situação.


ESTÁGIOS DA NEGOCIAÇÃO

Estagio de preparacao

  1. Coletar informações (para definir objetivos, ter conhecimentos específicos sobre a negociação e a outra parte envolvida).
  2. Planejar e definir objetivos (o que se espera conseguir, quais são os limites atingíveis, decidir qual proposta inicial, criar alternativas, perceber através das informações coletadas como o outro lado irá abordar a negociação).


Estagio inicial

Saber ouvir; expor os argumentos de forma clara, objetiva e eficaz e através de questionamentos descobrir o que a outra parte deseja.


Estagio de fechamento

Rever o acordado, preparar o contrato, esclarecer dúvidas e formalizar tudo o que foi negociado. 


ESTRATÉGIAS DE NEGOCIAÇÃO

A eficácia das estratégias tem haver com o nível de confiança entre as partes. Estratégia em negociação é a capacidade de antecipar as varáveis que possam interferir no decurso da negociação através de meios fatigantes de reflexão sobre um problema, estilos de negociação, relações de interdependencia.


NEGOCIACAO INTERATIVA

Na negociação interativa o foco é  encontrar uma solução e um acordo melhor para ambas as partes envolvidas. As estratégias racionais podem criar acordos interativos que vão desde a construção de confiança a divisão de informação na qual se apresenta múltiplas propostas. Transformar um desentendimento e ou um conflito em uma oportunidade, respeitando as divergências e acrescentando criatividade surgem fontes estratégicas de muita valia. (BAZERMAN E NEALE, 2007).

Portanto, para se obter um acordo do tipo ganha-ganha o importante é planejar ações que promovam oportunidades ao desenvolvimento do relacionamento das partes. Deve-se cultivar a confiança mútua, a gentileza, a afabilidade, a sociabilidade e a honestidade, tornar possível a cada uma das partes envolvidas propor soluções viáveis e criativas para acordos de parceria, objetivando relacionamentos a longo prazo, possibilitando assim, vantagens competitivas em termos de globalização. (MARTINELLI E ALMEIDA, 2006).


ESTRATÉGIAS DA NEGOCIACAO INTERATIVA

  1. Construir confiança e compartilhar informações. 
  2. Informar prioridades e conhecer os interesses da outra parte envolvida.
  3. Desmembrar as questões, quer dizer que não se deve concentrar em uma única questã
  4. Preparar pacotes de acordos, não ofertas referentes a uma única questão. 
  5. Fazer várias ofertas simultaneamente.
  6. Ser agressivo em expor as ideias, Tornar as ideias numa sólida argumentação.
  7. Estruturar contratos contingenciais. Tirar proveito das diferenças.
  8. Busca de acertos pós-acordo. Relacionamento duradouro.


NEGOCIACAO COMPETITIVA

Em uma negociação competitiva o importante é maximizar todas as intenções no resultado esperado, desconsiderando as questões de relacionamento, porém é importante se relacionar civilizadamente para dar continuidade à negociação. Utiliza-se de táticas e estratégicas, sem a preocupação de um relacionamento posterior, a chamada estratégia ganhar para perder. (LEWICKI E HIAM, 2003). 


ESTRATÉGIAS DE NEGOCIAÇÃO COMPETITIVA

  1. Fazer com que a outra parte ceda em relação aos seus objetivos, (eu ganho você perde).
  2. Definir limites de negociação (ponto de partida, objetivos e ponto de desistência).
  3. Conhecer e buscar informações referente a outra parte, a fim de planejar para deduzir os pontos do oponente.
  4. Dar importância aos benefícios tangíveis Ter uma alternativa.
  5. Saber quais os custos envolvidos na negociação.
  6. Nunca revelar o ponto de desistência

Sendo assim, a negociação competitiva fundamenta-se na grande necessidade de se obter                       vantagens, ignorando a possibilidade de um relacionamento futuro. Neste tipo de negociação, forma-se um jogo de forças e vence a parte que tem mais autoridade. As estratégias e as táticas são usadas unicamente para obter concessões, vantagens e poder, (MELLO, 2003). 


NEGOCIACAO DISTRIBUITIVA

Uma negociação distributiva caracteriza-se por um cenário onde o resultado lucrativo de um dos lados corresponde a uma perda, ou seja, um menor lucro para o outro lado. Define-se como uma missão a qual consiste claramente em dividir um determinado valor, não necessariamente ao meio. (LEITE, 2006).

Sendo assim, a negociação distributiva envolve apenas uma questão   onde uma pessoa ganha à custa da outra,  Este tipo de negociação é conhecida também como ganha-perde, onde o interesse está na divisão de um bem único. (BALVERDE, 2006).

Deste modo, a negociação distributiva está relacionada exclusivamente em se dividir o montante. Como se trata de um resultado onde o todo, já está predefinido e não tem perspectiva de se ampliar, cabe somente as partes se entenderem referente à divisão do valor, (LEITE, 2006).


ESTRATÉGIAS DA NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA

  1. Avaliar a melhor alternativa sem acordo para possivelmente melhorá-la.
  2. Determinam-se pontos reserva, sem revelá-los.
  3. Pesquisa-se a melhor alternativa sem acordo da outra parte envolvida para estimar os pontos reservas.
  4. Após preparação, fazer a primeira oferta.
  5. Ancorar-se imediatamente as ideias em sólidas argumentações se a outra parte abrir a
  6. negociação.

Não caia no truque de “dividir ao meio”.

Portanto, na negociação distributiva, exige-se que cada uma das partes refaçam suas prioridades referente ao relacionamento e os resultados esperados, sendo importante destacar que  a preparação e o uso de estratégias tornam-se a diferencial nos resultados, mesmo em se tratando de uma negociação onde se faz concessões e divide o montante. (LEWICKI E HIAM, 2003).


NEGOCIACAO COOPERATIVA

Para Mello (2003), na negociação cooperativa as partem tem interesse em alcançarem um acordo. É fundamental a troca legítima de informações para um conhecimento pleno de ambos os lados; a construção de um relacionamento de confiança; ter percepção correta dos fatos e a atenção nas concepções diferentes e justas, chegando assim a uma solução compartilhada que atendam os interesses de todos. Nesta negociação as estratégias são utilizadas na criação de um ambiente oportuno à negociação, onde as táticas usadas servem para conhecer e compreender as necessidades das partes. Abaixo segue tópicos significativos:

  • Ouvir mais do que falar.
  • Separar as pessoas do problema.
  • Colocar-se do lugar da outra parte.
  • Compreender os interesses do outro.
  • Estabelecer normas de trabalho.
  • Táticas competitivas usadas de forma cooperativa (orçamento limitado, hipótese, agenda prévia, intimidade). 

Por fim, nas negociações cooperativas os negociadores estão dispostos à obter ganhos financeiros, mas acima de tudo estão preocupados na manutenção e fortalecimento do relacionamento entre as partes, o importante é conseguir uma negociação clara, evidente associado ao compartilhamento de riscos e convicção mútua. A estratégia cooperativa consiste na permuta legítima de informações; na percepção das necessidades da outra parte envolvida; nas variáveis fundamentais ao relacionamento sustentável e de confiança. (TAMASHIRO, 2004).


PERFIL DO NEGOCIADOR

O  conhecimento e analise do estilo de negociação tornam-se fundamental Motivações essenciais, como interesse próprio ou disputas, influenciam a maneira de negociar. Da mesma forma, a abordagem do negociador, baseada na legalidade ou no poder, afeta o curso de uma negociação. E o uso das emocoes, também define um estilo de negociar, 

Existem diferentes abordagens  para descrever e compreender os estilos de uma negociação que sao abordagem de interesses, de direitos e de poder.

  • A abordagem de interesse: caracteriza, em conciliar diferentes necessidades e interesses de todas as partes envolvidas.
  • Abordagem de direitos: aplicam formas de tratamento justo nas negociações.
  • Abordagem baseada no poder: usa as ameaças, as intimidações, as posições hierárquica e o status para atingir os objetivos.
  • Portanto, na abordagem baseada em emoções define três estilos: o racional, o positivo e o negativo.
  • O negociador racional caracteriza-se pelo autocontrole e a ausência de emoções. 
  • o negociador positivo o bom humor é sua palavra chave, neste estilo de negociação usa estratégias cooperativas, a troca de informações, e criar alternativa inovadoras.
  • O negociador negativo, foca em intimidar seu oponente, neste perfil aumenta a probabilidade de ganhar concessões, tornando-se eficaz na mesa de negociação, porém caracteriza uma negociação “ganha-perde”. (THOMPSON, 2008).

Determinação de Valor de Negociação

Conceitos básicos da negociação

O novo dicionário da língua portuguesa define: negociar como: “realizar operações comerciais” e “tratar discutir para chegar a um acordo”. A negociação está presente em nosso cotidiano, da vida profissional. Negocia-se o tempo todo, com a família, amigos e colegas de trabalho, pode-se dizer que negociamos a qualquer momento em qualquer situação. Para uma boa negociação é necessário conhecer o assunto e saber se comunicar, preservando a ética e valores. (MELLO, 2003).

A negociação consiste basicamente em conseguir o que se quer, de uma outra parte envolvida. É uma comunicação bilateral, que consiste em chegar a um acordo a partir de interesses comuns e outros opostos. (FISHER; URY E PATTON,2005). Negociação é uma forma de comunicação entre duas ou mais partes cujo objetivo é alcançar um acordo mútuo referente opiniões opostas, onde em seu termino ambas as partes fiquem satisfeitas. (ACUFF,2004).

O processo de negociação fundamenta-se, em admitir ideias e interesses na busca de excelentes resultados de forma que ambas as partes concluem a negociação cientes que participaram e apresentaram justificativas.

Portanto no nosso ponto de vista negociação é um processo de comunicação bilateral, com o objectivo de se chegar a uma divisão conjunta, implica caracteristicamente uma troca de dar e receber entre um negociador e o oponente, que tentam chegar a uma conclusão agradável ou aceitável no ajusto de um problema ou disputa.


Valor De Negociação

Determinar o valor em uma negociação significa avaliar ou apurar em uma entidade comercial, industrial, de serviços ou de investimento com o intuito ou com finalidade de exercer uma actividade económica, segundo CORNELL (1994), tanto o termo determinar quanto o termo avaliação referem-se ao processo de apurar ou estimar o preço pelo qual uma propriedade trocaria de mãos entre um comprador e um vendedor, estando ambos dispostos a fazer tal transação quando o activo avaliado e uma empresa, a propriedade que o comprador e o vendedor hipotéticos estão negociando consiste nos direitos de todos os detentores de títulos da empresa, incluindo ações, títulos e dividas privadas.


Valor e Proposta de Valor

Rust et al. (2001), definem o termo estrutura de valor como sendo o que o cliente entende, naquele momento, como valioso para iniciar e manter um relacionamento com uma organização. Esse relacionamento leal e duradouro propicia um gerenciamento eficaz, incrementando o valor do cliente, no decorrer da sua vida útil de consumo. Nessa perspectiva, o foco da empresa não é somente nos negócios atuais com seu cliente, mas nos futuros, em busca de um retorno financeiro e relacionamento consistentes e constantes no longo prazo.

O objetivo da empresa, do ponto de vista da sociedade, é a criação de valor (PIES et al., 2010) ou uma parte de fazer negócios (FREEMAN et al., 2004). As empresas que têm maior sensibilidade às necessidades dos clientes são aquelas que focam o resultado, a partir da ênfase estratégica em marketing e criação de valor (BROWER; MAHAJAN, 2013).

Quando uma empresa entrega ao cliente um valor superior, consegue conquistar sua preferência, aumentar sua participação no mercado, sua lucratividade e sua vantagem competitiva. Além disso, consegue diminuir o custo de aquisição de novos clientes e da prestação de serviços. Isso faz com que seja de extrema importância saber o que os clientes percebem como valioso podendo, assim, ir além da aquisição e retenção do cliente, tendo em vista o incremento das relações negociais e a mensuração do seu retorno financeiro atual e futuro (REICHHELD, 1996).

Por esses argumentos, fica patente que o valor é peça-chave na decisão do comprador, já que lhe significa contribuição ao bem-estar. Ou seja, a proposta de valor representa o benefício que ele absorverá ao consumir o produto e pode ser apropriada como a utilidade que ele é capaz de entregar para o usuário (MANKIW, 2001). Isso é que, na verdade, o motiva a entrar e a retornar à negociação, sempre que lhe for necessário ou oportuno.

Sob a ótica do vendedor, por sua vez, a clara definição da proposta de valor de um produto é elemento fundamental para a decisão, planejamento e desenvolvimento do negócio. Seu conhecimento contribui para a positivação dos seus resultados de negócio. Ikeda e Veludode-Oliveira (2005) assinalam que o valor desejado pelo cliente resulta da composição entre atributos e suas consequências. Nesse contexto, a ligação entre eles é feita pela estrutura de cadeias meio-fins, proposta por Gutman (1982), citado pelos autores. Essa estrutura fornece base teórica para a interligação entre os valores percebidos pelos consumidores e seus comportamentos.

Uma observação de Ikeda e Veludo-de-Oliveira (2005) é que o conhecimento que uma empresa detém sobre o valor, na perspectiva de seus clientes, permite que ela realize: análise de mercado e segmentação; posicionamento de produtos e marcas; planejamento e desenvolvimento de produtos e marcas; e, estratégia de comunicação. Na análise de mercado e segmentação, o valor surge como uma possibilidade de segmentação de mercado facilitando a identificação de grupos de clientes com comportamentos comuns. No posicionamento de produtos e marcas, o valor que os consumidores atribuem aos produtos é elemento de avaliação da marca. Por sua vez, no planejamento e desenvolvimento de produtos e marcas o valor serve para o posicionamento de mercado. Finalmente, na estratégia de comunicação, o valor permite desenhar ou reforçar as formas de contato com os clientes, a partir dos significados encontrados para atributos, consequências e valores pessoais nas cadeias meios-fim.

Segundo Almeida e Gilioli (2017) o valor de um produto é significado por meio da atuação de três aspectos básicos: qualidade, quantidade e oportunidade, sendo esta última formada pela combinação entre espaço (local) e tempo (momento) do atendimento. Essa combinação vale tanto para quem procura, quanto para quem oferece o produto no mercado.

A qualidade é o elemento central do valor e em proposta pode ser interpretada como a dimensão técnica do atendimento proporcionado pelo produto, ou seja, aquilo que, em essência, ele se propõe entregar. Definida, será defendida pelas partes e permanecerá constante em padrão, monitorada e controlada pelos interessados, comprador e vendedor. O comprador, pelo uso no seu contexto; o produtor/vendedor pelos controles internos dos materiais e dos processos. É a garantidora da continuidade dos relacionamentos.

Por sua vez, a dimensão quantidade complementa o atendimento por meio da suficiência. Ela se apoia no princípio de que há uma quantidade adequada que promove a saciedade do comprador e, por isso, não pode faltar e nem sobrar, para qualquer uma das partes interessadas. Ao tê-la disponível, o comprador se sente seguro e se interessa pela negociação. O vendedor, por seu turno, planeja o processo produtivo e a razão de produção, estoque e distribuição do produto no mercado relevante.

A oportunidade do atendimento, em seu turno, é a dimensão que completa o atendimento comercial, de modo estratégico, em espaço e tempo. A melhor oportunidade é aquela que combina espaço e tempos incomuns de negócio. Com isso, torna-se interessante aos atores de mercado pela possibilidade de relacionamento em situações extraordinárias.

À medida que se apresenta, a oportunidade permite que ambos, comprador e vendedor, ajustem suas posições e estabeleçam as estratégias de negociação. Quando aumenta, provoca a sensação de aumento do valor para o comprador e, por consequência eleva sua aceitação em pagar preço mais alto pelo produto negociado. Este é o efeito “conveniência”. Exemplo disso, são as próprias lojas de conveniência que ao oferecerem produtos comuns, em local e momento incomuns, sentem-se confortáveis em praticar preços maiores do que os normalmente praticados no mercado. Isso se dá pela percepção de que os clientes, interpretam a conveniência como um incremento de valor e se dispõem a pagar preços mais elevados.


Proposta de Valor (PVL) e preço

A PVL significa benefício potencial acumulado em um produto disponibilizado no mercado, elemento essencial para a negociação. Entretanto, o juízo de valor sobre ela é qualitativo, reflete condição subjetiva e pode dificultar as tratativas entre as partes. Diante disso, é necessário traduzi-la em um elemento objetivo, quantitativo, sobre o qual não haja dúvida; no caso, o preço. Dessa forma a PVL reflete um preço que, em juízo, é justo e adequado a ela. Dessa forma, os negociadores podem melhorar suas estratégias.

Em se tratando de estratégias, Porter (2000) aponta que para ser mais rentável que os competidores uma empresa tem somente duas alternativas: ter preços mais altos que o da concorrência, ter custos mais baixos que as rivais e entregar um produto de qualidade e valor compatíveis. Trata-se de uma questão matemática simples, mas ao mesmo tempo é algo que muitas empresas não refletem e não aplicam. Afirma ainda que para se gerar no cliente predisposição a aceitar um maior preço é necessário garantir um valor que o justifique.

Discussões sobre o valor também são relacionadas à marca. De acordo com Aaker (2007, p.98), uma proposta de valor é compreendida como a afirmação dos benefícios oferecidos pela marca ao cliente e que lhe proporcionam valor e “deve conduzir a um relacionamento marca-cliente e impulsionar as decisões de compra”. Esta é uma afirmação dos benefícios que se oferece pela marca e que proporcionam valor ao cliente. Destaca ainda que são três esses benefícios: funcional, emocional e de auto expressão. 

Carrasco et al. (2014) e Gabry (2016) assinalam que a proposta de valor descreve a forma como uma empresa se diferencia dos seus concorrentes e é a razão pela qual os clientes compram de uma certa empresa, e não da outra, uma vez que criam valor para tal segmento de consumidor.

Segundo os autores, assim que as posições individuais de comprador e vendedor se estabelecem, inicia-se a negociação. Nesse momento, motivados pela PVL, comprador e vendedor posicionam expectativas, estratégias e poderes de barganha. Assim, a negociação ocorre até que o preço final seja encaminhado. Em tese, esse preço é justo para ambas as partes, diante das condições que o mercado possibilita. A justiça está na equivalência valor e preço negociado, gerando satisfação tanto para o comprador, quanto para o vendedor. A Figura 2 representa esse processo de negociação.

Dependendo do poder de barganha de cada negociante, afirmam Almeida e Gilioli (2017) o preço final pode ser justo, caro ou barato. Justo, quando for equivalente ao valor entregue; caro, quando for superior ao valor entregue; e, barato, quando for inferior a ele. Ao ser justo, o preço distribui adequadamente os resultados da negociação. Quando caro, torna-se injusto ao comprador que paga mais do que recebe em benefício. Ao ser barato, é injusto com o vendedor, que recebe menos do que necessita para a cobertura dos custos operacionais e margem de contribuição.

Fica claro que as empresas, nesse contexto, precisam investir fortemente em gestão do conhecimento e em inovação para identificar e antecipar, por meio dos produtos a serem entregues, as necessidades e desejos dos clientes (ALMEIDA et al.., 2016).

Conforme Andreasi (2014) existem 4 diretrizes para definir uma PVL: excepcionalidade, unicidade, excelência e desejabilidade. A excepcionalidade diz respeito à originalidade da proposta. A unicidade se refere ao diferencial que a proposta carrega. Excelência está associada à manutenção do interesse do beneficiário pelo produto por um longo tempo. Finalmente, a desejabilidade reflete o quanto o cliente pode desejar o produto devido à PVL. Em resumo, o autor assinala que é preciso avaliar se a proposta de valor é única e baseada no comportamento, expectativas e necessidades dos consumidores.

Antoni et al. (2013) assinalam que o estabelecimento da proposta de valor depende, prioritariamente, da definição do posicionamento estratégico da empresa. Por sua vez, cabe ao posicionamento estratégico direcionar as decisões pertinentes ao composto mercadológico (produto, preço, distribuição e comunicação) com efeitos sobre a marca. Na sequência, são apresentadas algumas aplicações da PVL pelas empresas.


Aplicação da PVL

Empresas que identificam adequadamente sua PVL costumam se sobressair nos mercados. Internamente, ajustam melhor seus processos e planos de desdobramento de portfólio, programando esforços e custos; externamente, identificam melhor seu público-alvo e potencial de vendas e de receita. Em consequência, transitam com mais segurança econômicofinanceira nos negócios. Essa pauta é principal no momento de empreender, especialmente na fase de prospecção dos negócios e dos mercados e, depois, nas demais etapas de desenvolvimento do empreendimento (ANDRÉ NETO et al.., 2013).

A PVL também é argumento básico e principal para as startups, empreendimentos que, na sua maioria são relacionados à tecnologia da informação e que nascem e se desenvolvem sob elevadas condições de incerteza e risco. Diante disso, são obrigadas a definir inicialmente e, de maneira clara, sua PVL para depois alcançar o Produto Mínimo Viável (MVP, em inglês). De posse dele, promovem a validação junto ao público-alvo e, em caso positivo de aceitação, caminham para o produto final e, finalmente, para o mercado.

No desenvolvimento de novas propostas ou de análise de negócios, a PVL é o componente a partir do qual o modelo de negócio é desenvolvido.

Fernandes (2012) afirma que a proposta de valor deve deixar claro os benefícios que os consumidores terão ao utilizar a marca do produto/empresa. Nesse contexto, o autor identifica: benefícios funcionais, benefícios emocionais e benefícios de auto expressão.


Exemplos de PVL aplicadas pelas empresas

Segundo Fernandes (2014) a proposta de valor não deve se apegar apenas a funcionalidades e características do produto ou serviço, mas à solução que ela entrega para o cliente, ajudando-o a resolver problemas, sanar desejos e atender necessidades. Nesse contexto, o autor relaciona 11 tipos de propostas de valor aplicadas por empresas conhecidas, sintetizadas a seguir:

  1. Novidade – satisfaz um conjunto de necessidades que os clientes ignoravam ter diante da falta de ofertas parecidas.
  2. Desempenho – melhora o desempenho de produtos e serviços.
  3. Personalização – atende à necessidades específicas dos clientes.
  4. Realização – executa serviços ou actividades específicas para os clientes.
  5. Design – melhora a experiência do usuário com objectos e pessoas ao seu redor.
  6. Marca ou status – satisfaz os clientes pelo simples ato de poder usar e exibir.
  7. Preço – oferece preços baixos aos clientes que enfatizam esse fator na negociação. Porém, vale lembrar que propostas assim podem trazer sérias implicações para o modelo de negócios da empresa.
  8. Redução de custo – dedicada aos clientes que enfatizam a redução de custos nas suas atividades e operações diárias. E considerada uma fonna muito significativa de geração de valor.
  9. Redução de risco – oferece redução de riscos aos clientes na posse de bens materiais ou em transações financeiras.
  10. Acessibilidade – possibilita o acesso de clientes que, por diversos motivos, estejam impossibilitados de participar dos mercados.
  11. ConveninciaI usabilidade – promove facilidade e/ou conveniência aos clientes no uso de bens e serviços.


Conclusão

Embora não seja uma técnica de avaliação e uma perspectiva de avaliacao e uma perpesctiva de encarrar o valor  da empresa ,e dela vai resultar o valor de trasancao .na realidade ,as tecnicas de avaliacao servem apenas para definir os intervalos de negociacao consideradas razoaveis pelos analistas.e com o precesso negocial que o preco sera acordado entre as partes.so tem valor a empresa que tiver pontecialidade de gerar fluxos monetarios futuros.nao ha,no entanto,alguem que seja capaz de calcular exactamente o que uma empresa ou negocio vale,pois isso depende da percepcao e expectativas de cada um sobre a evolucao dos factores  determinantes do valor,o que condicionara o preco que alguem esta disposto a pagar pela empresa.


Bibliografia

  • ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de; ROVIGATI, Danilo Alyrio; MACEDO, Marcelo Álvaro da. Princípios de Negociação. São Paulo: Atlas, 2004.
  • ALMEIDA, A.; GILIOLI, S. Proposta de valor: o hipocentro do negócio. IN: CONVIBRA, 2017. ANAIS.
  • CARVALHAL, Eugênio do; Negociação: fortalecendo o processo- como construir relações de longo prazo. Rio de Janeiro: Vision, 2004
  • CHIAVENATO, Idelaberto; Gestão de Pessoas: O Novo papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999
  • DIAS, Mário; COSTA Roberto Figueiredo; Manual do Negociador. São Paulo: DFC – Consultoria e Treinamento;1990.
  • IKEDA, A. A.; VELUDO-DE-OLIVEIRA, T. M. O conceito de valor para o cliente: definições e implicações gerenciais em marketing. REAd – Edição 44, Vol. 11, No. 2, marabr 2005
  • KARRASS, Chester L. O manual de negociação. Rio de Janeiro: Ediouro, 1994.
  • KRAUSE, Donald G. Sun Tzu: a arte da guerra para os executivos. São Paulo: Makron Books, 1996.
  • OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças. Planejamento Estratégico. São Paulo: Atlas, 1992.
  • ROSA, C.A.; COUTO, G.M.; LAGE, M.G. O guia essencial para novos empreendedores: modelagem e proposta de valor. Belo Horizonte: SEBRAE/MG, 2015. 136 p.: il.

A política e a estrutura social no Início da ocupação efectiva, a emergência e a luta do proletariado urbano, a crise económica e social da década 20

Introdução
A luta dos camponeses e trabalhadores moçambicanos foi determinada, em parte, pela repressiva estrutura política e económica do colonialismo português. Para além de ser definido como a forca de trabalho para o capital, foram vedados ao povo moçambicano direitos políticos efectivos. Assim sendo, visa-se neste capítulo, abordar sobre a política social, a estrutura social de Moçambique no Início da ocupação efectiva, a emergência e a luta do proletariado urbano, as principais greves dos anos 20 e a I Guerra Mundial e a crise económica e social da década 20.

A política social
A estrutura social
O processo de colonização do território de Moçambique foi dinamizado pela burguesia colonial aliada à burguesia estrangeira.
O objectivo principal era a exploração de recursos usando a força de trabalho local, os camponeses. A Convivência destas camadas sociais não foi pacífica, pois os camponeses mantiveram sempre a sua resistência activa contra a ocupação colonial, através de fugas maciças, revoltas, greves, etc.

A estrutura social de Moçambique no Início da ocupação efectiva

Burguesia
·         Colonial e estrangeira;
·         Fomentou o colonialismo capitalista.
Camponeses
·         Garantiam a força de trabalho nas plantações, transportes, minas e comércio rural;
·         Com o pagamento dos seus impostos forneciam grande parte dos rendimentos ao Governo;
·         Constituíam o principal consumidor de grandes quantidades de pro dutos de indústrias portuguesas e europeias
Com o desenvolvimento da economia colonial em Moçambique, emergiram outras camadas sociais secundárias, que tiveram um papel importante na vida política e económica da colónia. Por exemplo, a burguesia comercial local sediada em Lourenço Marques interessada na sua maioria pelo crescimento das importações e exportações de produtos. Mais tarde, surge a burguesia agrícola local composta por colonos que, no processo de ocupação de terras, foram expulsando os camponeses dos melhores terrenos.
No Sul de Moçambique esta nova burguesia local entrava sempre em conflito com a burguesia da Europa e o Estado colonial, bem como com a burguesia mineira inglesa.

A emergência do proletariado urbano
A integração económica de Moçambique no complexo económico da África Austral esteve na origem da emergência do proletariado urbano. A construção e desenvolvimento dos portos e caminhos-de-ferro de Lourenço Marques e Beira foram impulsionados não só pelos capitais estrangeiros como também pelo crescimento dos aglomerados populacionais urbanos. A estes locais convergiam obrigatória e voluntariamente milhares de pessoas à procura de trabalho, oportunidades de negócios e melhores condições de vida.
As construções nos centros urbanos exigiam a utilização de muita mão-de-obra, recrutada muitas vezes em regime de trabalho obrigatório. A necessidade de manutenção de diversas actividades exigia cada vez mais mão-de-obra assalariada, bem como a fixação de mais colonos portugueses nos centros urbanos; por exemplo, a par da construção de centros urbanos, havia a necessidade de mão-de-obra para serviços paralelos, como obras públicas, turismo, remoção de lixo, trabalho doméstico, etc. Assim, surgiram as camadas sociais de semiproletários urbanos.
No porto e caminhos-de-ferro de Lourenço Marques, por volta de 1912, o número de trabalhadores ultrapassava os 26 mil e, em 1928, era cerca de 37 mil entre africanos e não-africanos. O porto de Lourenço Marques foi o principal centro embrionário do proletariado urbano e constituía um importante em pregador dessa mão-de-obra.
Contudo, esta camada de proletariado urbano em emergência apresentava uma instabilidade acentuada, pois na sua maioria eram trabalhadores não qualificados, agrupados numa base étnica e regional.
Os salários serviam para pagar os impostos liquidados em dinheiro, para o sustento da família e para o pagamento do lobolo.
O proletariado urbano pouco a pouco vai tomando consciência da exploração e isolamento de que é alvo, o que originará greves e manifestações.

A luta do proletariado urbano
Os centros urbanos da Beira e Lourenço Marques, por serem os mais ricos em proletariado, registaram várias greves e manifestações. Contudo, mesmo na luta dos trabalhadores havia diferenças entre negros e brancos.

As principais greves dos anos 20

Ano
Descrição da greve
1916
Greve do pessoal branco dos transportes urbanos
1917
Greve dos ferroviários brancos
1919
Greve dos estivadores negros
1920
Greve dos ferroviários brancos
Greve do pessoal branco dos transportes urbanos
1921
Greve dos estivadores negros
1923
Greve do pessoal branco dos transportes urbanos
1925
Greve geral contra a Companhia Majestática cia Beira
Os exemplos mais reportados foram as greves dos trabalhadores assalariados da Beira e Lourenço Marques. A greve da Beira foi uma consequência, segundo jornais da época, da crise económica mundial que afectou Manica e Sofala. Após 1928, a baixa de cotação para os principais produtos agrícolas provocou a falência de muitas propriedades agrícolas dos colonos e despedimentos em massa dos trabalhadores das grandes plantações. Verificou-se também um declínio das exportações e importações para a Rodésia do Sul e uma redução do tráfego ferro portuário de Manica e Sofala. Esta situação ocasionou o excedente de mão-de-obra, levando a que os salários baixassem, o que preocupava ainda mais os trabalhadores.
A Companhia de Moçambique também sofreu com a crise, pois viu os seus rendimentos declinarem. Na Beira, os serviçais assalariados dos diferentes ramos de actividades insistiam em exigir a diminuição de impostos cobrados pela companhia.

A I Guerra Mundial e a crise económica e social da década 20
Com o Início da I Guerra Mundial, em 1914, os problemas económicos de Portugal começam a ser mais evidentes. O sector financeiro ressentiu-se logo e promoveu-se a desvalorização da moeda, o escudo português. Esta situação resultou no aumento do custo de vida, na queda de salários, no agravamento dos impostos, etc. Para Moçambique, registaram-se aumentos do mussoco e do imposto da palhota. Em algumas zonas do território, principalmente no Sul, estes impostos passaram a ser exigidos em libras (moeda inglesa que na altura era usada no mercado sul-africano e rodesiano), tanto ao trabalhador migrante como aos demais trabalhadores locais.
Foi neste período que se agravaram os problemas de recrutamento de mão-de-obra, fonte de obtenção das receitas em libras. A administração colonial levou a cabo acções violentas que passavam pelo aprisionamento de pessoas e rusgas nas aldeias, como forma de garantir mão-de-obra para as companhias, obras públicas e também para ingressarem nas fileiras de combate por Portugal. A I Guerra Mundial exigiu a utilização de recursos materiais e humanos dos países em confronto e também das suas colónias.

Estima-se, provisoriamente, em 100 mil o número de moçambicanos recrutados obrigatoriamente. Estes recrutados destinavam-se a engrossar o exército português, que operava no Norte de Moçambique contra as forças alemãs vindas do Tanganica.
A I Guerra Mundial era alimentada também por exércitos forçados de moçambicanos.
História de Moçambique, vol. II, p. 23

Conclusão
Embora não houvesse organizações sindicais no seio dos trabalhadores negros moçambicanos, a luta destes esteve sempre presente, manifestando-se de diferentes formas.
O objectivo principal da política e estrutura social era a exploração de recursos usando a força de trabalho local, os camponeses. A Convivência destas camadas sociais não foi pacífica, pois os camponeses mantiveram sempre a sua resistência activa contra a ocupação colonial, através de fugas maciças, revoltas, greves, etc.

Bibliografia
  • BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, Saber História 10, 1ª edição, Longman Moçambique, Lda., Maputo, 2010
  • NHAPULO, Telésfero de Jesus, História 12ª classe, Plural Editores, Maputo, 2013
  • Pereira, Luís José Barbosa, Pré-Universitário 12, 1ª ed., Longman Moçambique Lda., Maputo 2010
  • www.escolademoz.com





A Crise do Colonialismo Português, A Independência Nacional e seu Significado

Introdução
A opressão secular e o colonial fascismo português acabaria por obrigar o Povo moçambicano a pegar em armas e lutar pela independência. 
A luta de libertação Nacional, foi dirigida pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique).
Esta organização, foi fundada em 1962 através da fusão de 3 movimentos constituído no exilo, nomeadamente, a UDENAMO (União Nacional Democrática de Moçambique), MANU (Mozambique African National Union) e a UNAMI (União Nacional de Moçambique Independente).

A Crise do Colonialismo Português
Depois da vitória sobre os portugueses durante o “Nó Górdio” a FRELIMO ganhava cada vez mais força. Todas as colónias começavam a libertar-se do jugo dos portugueses. A pouco e pouco, os movimentos de libertação nacionais das colónias portuguesas faziam o mesmo que os das colónias de outras potências industriais. As colónias tornavam-se independentes.
Mas o colonialismo português já estava em crise há muito tempo, tal como o regime pesado do Estado Novo. O país estava mais pobre desde que entrara na guerra colonial, e não eram só os recursos económicos que rareavam, as pessoas também. A Guerra Colonial viu morrer muitos portugueses e em cada morto ou doente havia uma família descontente e revoltada com o regime.
O descontentamento era generalizado. Até a Igreja deixara de apoiar, ou deixou de não contestar, a atitude do regimes Paulo VI recebeu, a 1 de Julho de 1970, três líderes de movimentos de libertação africanos: Marcelino dos Santos, de Moçambique, Agostinho Neto, de Angola, e Amílcar Cabral, da Guiné-Bissau e Cabo Verde.
Esta notícia caiu como uma bomba em Portugal. Por um lado, o Governo de Marcello estava contra esta visita e, por outro, o povo católico começava a cimentar as suas dúvidas em relação ao regime.
Desde que Marcello Caetano tomou posse do Governo do Estado Novo notava-se a decadência do regime. Essa decadência acabou por levar à sua queda. As guerras coloniais já duravam há mais de uma década e Portugal era, no Início da década de 70, um país pobre, inculto, atrasado e sem esperança para os jovens, O descontentamento das populações e dos militares, sobretudo os de baixa e média patentes, levou à queda do regime em 1974, no 25 de Abril. A crise do colonialismo chegou ao fim e o Governo Provisório logo se apressou a negociar as descolonizações.

A Independência Nacional
A República Popular de Moçambique
Depois do 25 de Abril de 1974, deixou de haver Estado Novo para negociar. Por isso, os moçambicanos passaram a ter como interlocutores os membros do MFA, Movimento das Forças Armadas que havia ganho a revolução portuguesa. As negociações com o MFA permitiram terminar a guerra, depois da assinatura dos Acordos de Lusaka.
Samora Machel assinou os Acordos de Lusaka com os portugueses em 7 de Setembro de 1974, iniciando um processo de edificação de uma nova sociedade, a moçambicana, onde pela primeira vez os moçambicanos conduziram por si os seus destinos.
Nesses acordos ficou estabelecido o seguinte:
  • a data de independência de Moçambique seria 25 de Junho de 1975;
  • iria prontamente (dia 20) entrar em vigor o Governo de transição;
  • o Governo de transição seria liderado por Joaquim Chissano.

A independência de Moçambique foi proclamada, como previsto nos Acordos, no dia 25 de Junho de 1975, por Samora Machel e a multidão que o rodeava, no Estádio da Machava.

A independência e o seu significado
A independência Nacional significou para a maioria do povo de Moçambique o início de uma nova era de liberdade, o fim do sistema colonial português e o nascimento de uma nova nação africana, a República Popular de Moçambique.

Discurso de Samora Machel na proclamação da Independência Nacional no dia 25 de Junho de 1975, no Estádio da Machava
Moçambicanas e moçambicanos, operários e camponeses, trabalhadores das plantações, das serrações e das concessões, trabalhadores das minas, dos caminhos-de-ferro, dos portos e das fábricas, intelectuais, funcionários, estudantes, soldados moçambicanos no exército português, homens, mulheres e jovens, patriotas:
Em vosso nome às zero horas de hoje, 25 de Junho de 1975, o Comité Central da FRELIMO proclama solenemente a independência total e completa de Moçambique e a sua constituição em República Popular de Moçambique.
A República que nasce e a concretização das aspirações de todos os moçambicanos, e a extensão a todo o país da liberdade já conquistada durante a luta armada de libertação em algumas partes do nosso país, é o produto do sacrifício dos combatentes nacionalistas de todo o Povo Moçambicano e a concretização da nossa vitória.

Conclusão
Terminado trabalho, concluiu-se que as negociações entre a administração portuguesa, através do MFA, e a FRELIMO culminaram na assinatura dos Acordos de Lusaka em 7 de Setembro de 1974 na Tanzânia, com a transferência de soberania para as mãos da organização moçambicana. No entanto, a situação dos colonos não ficou bem definida, principalmente no que dizia respeito às suas propriedades, restantes bens e situação profissional, o que levou a uma insatisfação generalizada entre estes, dando origem a uma série de levantamentos.
A formalização da independência de Moçambique ficou, finalmente, estabelecida em 25 de Junho de 1975, o 13º aniversário da fundação da FRELIMO.

Bibliografia
  • BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, Saber História 10, 1ª edição, Longman Moçambique, Lda., Maputo, 2010
  • NHAPULO, Telésfero de Jesus, História 12ª classe, Plural Editores, Maputo, 2013
  • PEREIRA, Luís José Barbosa, Pré-Universitário 12, 1ª ed., Longman Moçambique Lda., Maputo 2010


Turismo

Conceito: Turismo é o conjunto de atividades que envolvem o deslocamento de pessoas de um lugar para outro, seja ele doméstico ou internacional.

A Política Laboral da da Companhia de Moçambique

Introdução
Em 1880, foi criada, em Portugal, legislação que permitiu a formação de sociedades por acções, as companhias. O Estado português transferiu para estas a responsabilidade da administração de partes do território, tendo como objectivo aliciar os privados e minimizar as despesas. Entretanto, esta abordagem tem como objectivo abordar a Companhia de Moçambique, particularmente a sua politica laboral.

A Política Laboral da Companhia de Moçambique
As autoridades coloniais portuguesas viam no trabalho africano dos maiores recursos que as colónias possuíam e um recurso cujo valor podia ser facilmente arrecadado.
As autoridades portuguesas com a abolição da escravatura vêem-se num dilema no que diz respeito à gestão e controlo de mão-de-obra, pois era preciso garantir a força de trabalho necessária para continuar com a exploração. Assim, foram elaborados instrumentos legislativos que preconizavam o controlo da força de trabalho sem recorrer a um sistema de escravatura aberto.
O Código de Trabalho apresentado por António Enes, em 1899 defendeu a justeza legal da força de trabalho africano, conhecido pelo nome de chibalo, onde todos os camponeses africanos eram obrigados a procurar e a adquirir pelo trabalho os meios que necessitavam para a subsistência e para elevar o seu nível de vida.
Não há que ter escrúpulos em obrigar, forçar esses rudes negros de África a trabalhar, a Civilizarem-se a si mesmos através do trabalho.”
Para Enes, obrigar os negros a trabalhar não era motivo de vergonha, muito pelo contrário, era uma obra de civilização.
António Enes, 1899

O domínio e exploração do trabalho assalariado nas plantações, farms, explorações mineiras e outros sectores da economia colonial constituíam formas de desenvolvimento do capitalismo colonial. Assim, o trabalho assalariado para os camponeses não Constituía a única fonte de sobrevivência, pois tinham as suas machambas, onde cultivavam alimentos para si e suas famílias. Enquanto os camponeses tivessem a sua terra para cultivar, não se interessavam pelo trabalho assalariado, O campesinato não tinha uma motivação para as solicitações de trabalho assalariado. Por isso, a Companhia de Moçambique teve de utilizar outros métodos para garantir o fornecimento de mão-de-obra a preços baixos. Sem esta mão-de-obra era impossível garantir o desenvolvimento da economia colonial. A primeira medida tomada, como forma de garantir o trabalho assalariado, foi a institucionalização do imposto em dinheiro. Assim, os camponeses eram obrigados a trabalhar para obterem o dinheiro para o pagamento de impostos.
A principal legislação de trabalho aprovada pelo Governo português para o território foi:
O Regulamento Geral do Trabalho dos Indígenas no Território da Companhia de Moçambique;
O Regulamento para o Fornecimento de Indígenas a Particulares no Território de Manica e Sofala;
E o Regulamento para o Recrutamento de Indígenas de Manica e Sofala.
Estes regulamentos assentavam em três aspectos essenciais: a institucionalizaçac do trabalho forçado; o sistema de controlo rigoroso da força de trabalho; e a interdição de recrutamento para serviços fora do território.

Aspectos essenciais dos regulamentos sobre o trabalho na Companhia de Moçambique:

Institucionalização do trabalho forçado
— Obrigava todas as pessoas em idade activa a prestarem o trabalho assalariado;
— O camponês era obrigado ou a vender de forma coerciva a sua força de trabalho ou a dedicar-se a culturas viradas para a exportação em benefício do capital estrangeiro;
— Esta situação criava, no seio do núcleo familiar, uma grande instabilidade, pois prejudicava o desenvolvimento da economia familiar de subsistência.
O sistema de controlo rigoroso da força de trabalho
— Cada trabalhador devia ser portador de um certificado onde estivesse patente o tempo de serviço prestado à companhia e as datas de início e de termo do contrato;
— Entre 1926-27 é instituído o regime de Caderneta de Identificação Indígena para os indivíduos do sexo masculino com idade aparente ou provada superior a 14 anos;
— Desde então, todos os indivíduos eram obrigados a circular com esta caderneta individual;
— Na caderneta registavam-se os contratos de trabalhos cumpridos e a sua história criminal;
— Os chefes de circunscrição e os seus subordinados, régulos ou inhacuacua, chefes de povoação ou fumos, sipaios e outros auxiliares foram obrigados a implementar rigorosamente este regime de caderneta;
— O recenseamento colonial passou também a constituir um instrumento de controlo do pagamento dos impostos e do trabalho forçado.
Interdição de recruta mento para serviços fora do território
— O recrutamento da mão-de-obra devia ser feito dentro do território da companhia;
— A emigração clandestina era proibida;
— Para impedir a fuga dos trabalhadores para fora do território foi imposto um policiamento rigoroso nas fronteiras;
— A aplicação destas medidas serviram para a companhia reduzir o problema da falta da mão-de-obra, mas promoveu o pagamento de salários baixos, mesmo aos trabalhadores classificados como “voluntários”;
— Consequências destas medidas: fugas para os países vizinhos ou outras zonas da colónia; adopção por parte dos camponeses de nomes falsos; falta de mão-de-obra e a revolta de Barué de 1905 e 1917 contra a presença colonial.

Para fazer face à crise de mão-de-obra, João Pery de Lind, em 1911, criou a Repartição do Trabalho Indígena, RTI, cuja finalidade era a centralização da procura e da oferta de mão-de-obras João Pery convenceu os farmeiros a aceitarem trabalhadores provenientes dos distritos de Moçambique, Tete e Zambézia, além da mão-de-obra recrutada localmente.
Com o Estado Novo foi decretado a 6 de Dezembro de 1928 o Código do Trabalho Indígena, que impunha como dever moral para cada cidadão procurar trabalho, mas era contrário ao trabalho obrigatório para fins exclusivamente privados.

Conclusão
Terminada a abordagem, pôde concluir-se que o capitalismo colonial só se podia desenvolver através do domínio e exploração do trabalho assalariado nas plantações, na (farms), exploração mineira e outros sectores da economia. Com tudo, os camponeses possuindo meios de vida próprios, não tinham no trabalho assalariado a sua fonte de sobrevivência. Desta forma, para conduzir o camponês ao trabalho assalariado, a companhia usou a violência extra-económica capaz de arrastar a força de trabalho de campisenato.
É de salientar que de uma forma comprimida, a Companhia de Moçambique consistia em exploração dos territórios e da população que estavam sob seus domínios; colectar taxas e impostos de palhota e de capitação (mussoco); exploração de mão-de-obra para países vizinhos; construir e explorar vias de comunicação; conceder terras a terceiros; privilégios bancários e fiscais (emitir moedas e selos).

Bibliografia
  • BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, Saber História 10, 1ª edição, Longman Moçambique, Lda., Maputo, 2010
  • NHAPULO, Telésfero de Jesus, História 12ª classe, Plural Editores, Maputo, 2013
  • Pereira, Luís José Barbosa, Pré-Universitário 12, 1ª ed., Longman Moçambique Lda., Maputo 2010
  • www.escolademoz.blogspot.com


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